Segunda-feira, 22 de Março de 2010
MIE - sobre o conceito de paradigma de investigação educacional

Tendo o nosso grupo iniciado já os trabalhos sobre o tema "paradigmas de investigação em educação", aqui vai uma primeira abordagem ao conceito de paradigma e um artigo sobre a problemática em análise.





Considerando o modelo topológico da prática metodológica, segundo De Bruyne et all (in "Investigação Qualitativa: Fundamentos e Práticas", 1990), no pólo epistemológico, onde se dá a construção do objecto científico, a delimitação da problemática da investigação e a sua dimensão discursiva (linguagens por meio das quais o objecto científico toma forma), remete-nos para a noção de paradigma. Foi popularizada T. S. Kuhn (1983) que a reconheceu como podendo ser utilizada em dois sentidos complementares: todo o conjunto de crenças de valores reconhecidos e de técnicas que são comuns aos membros de um grupo; as soluções concretas de enigmas que, utilizadas como modelos ou exemplos, podem substituir as regras explícitas enquanto base de soluções para os enigmas que subsistem na ciência normal.



 

 


O problema do valor do conhecimento científico remete igualmente para a noção de paradigma na sua dimensão normativa (primeiro sentido conferido por Kuhn): critérios de cientificidade (objectividade, fidelidade e validade).

 

Segundo Herman, 1983, o paradigma pode ser definido como "um misto de pressupostos filosóficos, de modelos teóricos, de conceitos-chave, de resultados influentes de investigações, constituindo um universo habitual de pensamento para os investigadores um dado momento do desenvolvimento de uma disciplina".




http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/6497/1/Clara%20Coutinho%20AFIRSE%202006.pdf

Para Clara Coutinho, falar da investigação num dado domínio científico é ver reflectido aquilo que, num dado momento, preocupa, interessa e intriga os investigadores nessa área ou domínio do conhecimento e também uma forma de procurar justificação para as opções feitas em termos de temáticas, referenciais teóricos e paradigmáticos, de um conjunto de factores (valores, acepções e tendências) a que se costuma chamar de “paradigma de investigação” (Kuhn, 1970). A cada paradigma corresponde uma forma de entender a realidade e encarar os problemas educativos e a evolução processa-se quando surgem novas formas de equacionar as questões impulsionando a que os paradigmas fluam, entrem em conflito na busca de novas soluções para os problemas do ensino e da aprendizagem.


 


 


Não sendo possível encontrar um “modelo” de classificação consensual, Clara Coutinho apresenta o de Reeves (1995) que considera que o primeiro aspecto a ter em conta na análise da investigação em TE, passa por uma distinção entre finalidades/objectivos da investigação e orientações metodológicas. Para Reeves, falar de paradigmas é falar de referenciais para a investigação, equacionando os motivos (finalidades, interesses) que levam o investigador a desenvolver a sua pesquisa: Que busco quando investigo? Verdade? Conhecimento? Informação? Compreender? Explicar? Emancipar? Considera que as respostas podem ser encontradas nos três paradigmas da investigação educativa referidos na literatura: o paradigma positivista/quantitativo (controlar e prever os fenómenos), o interpretativo/qualitativo (compreender) e o crítico/emancipatório (intervir na situação ou


 


 


contexto).


 


Fica uma primeira abordagem para um tema que "dá pano para mangas"...


 


 




1 comentário:
De sannyafernanda a 22 de Março de 2010 às 16:43
O mais interessante, Vania , é que estas discussões sobre os paradigmas existentes e predominantes na educação nos permitem analisar inclusive certas questões e fenómenos que persistem na realidade e nas políticas educacionais de nossos países, como refere Maria Cândido Moraes , professora da PUC SP no seu livro Paradima Educacional Emergente (Ver sinopse em: http :/ www.ub.es sentipensar pdf candida /paradigma_emergente pdf ).
A ciência evoluiu de modo que tem procurado ir em busca de referencias teóricos e metodológicos que dêem conta da natureza de seus objectos, sejam eles, naturais ou sociais.
Segundo esta mesma autora, o problema está no modelo de ciência que prepondera num certo momento histórico e que influenciam as questões epistemológicas. Defende ainda que "um paradigma do qual decorre todo um sistema de valores que influencia não somente o processo de construção do
conhecimento, mas também a maneira de ser, de fazer e de viver/conviver".
Para ela, há ainda duas ciências, uma do passado, que está dissociada do mundo e da realidade e uma que hoje tenta explicar a relação entre o homem e o mundo, como este homem compreende este mundo.

Bem, e seguem as pesquisas e as leituras.
Vamos lá!
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