Terça-feira, 23 de Março de 2010
Em que paradigma te inseres tu? :)

Ao abraçar o tema que pelo sorteio calhou ao nosso grupo, não consigo deixar de olhar para os paradigmas de investigação e ter a sensação de que, quando exclusivamente deles falamos, estamos a colocar a “carroça à frente dos bois” (tive sérias dúvidas em colocar esta expressão mas penso que o nome do grupo me atribui liberdade para tal :).  Isto porque dou por mim (sem projecto e cada vez mais desorientada) a pensar em qual dos paradigmas me enquadraria melhor sem saber sequer o que quero na realidade investigar. Já sei que o professor Rui Vieira na sessão presencial nos alertou para essa situação mas este pensamento é quase inevitável.  Continuando...


 



A investigação em educação assentou durante um longo período em dois grandes paradigmas: Positivista (quantitativo) versus Interpretativo (qualitativo).  Utilizo a expressão “versus” pois na maioria dos artigos que li estes dois paradigmas foram frequentemente olhados como competidores e não como complementares. Mas foi um terceiro paradigma, mais recente na história da investigação em educação, paradigma Sócio-crítico, que me prendeu particularmente a atenção. Este pressupõe um papel mais interventivo por parte do investigador e no meu entender assume uma visão ainda mais holística do que o paradigma Interpretativo na medida em que atende não só à compreensão do contexto num dado momento mas também a intervenções nesse mesmo contexto, fornecendo todo um conjunto de conhecimentos inerentes à evolução (seja ela negativa ou positiva face aos objectivos)  da investigação. 





8 comentários:
De Astrigilda Silveira a 23 de Março de 2010 às 19:10
Olá Liliana!

Também ainda estou perdida quanto ao posicionamento de uma delas.
Existem outros autores, como Bogdan e Biklen (1984), que defendem a complemntaridade entre os paradigmas interpretativo ou quantitativo e positivista ou qualitativo.
Segundo Sampieri et al (2006, p. 11) o que tem estado na base de separação destes paradigmas "centra-se na ideia de que um estudo pode neutralizar o outro", o que dificulta a reunião dos mesmos. Entretanto, para Michelle Lessard-Hébert et al. (1990, p. 35), na prática, nota-se que é reduzido o número de investigadores que não utilizam a combinação destas tecnícas.


De caixinha a 23 de Março de 2010 às 21:51
Olá....
Concordo com o que referem.

Pelo que tenho esmiuçado, detectei também alguns casos em que metodologias "mistas/híbridas" têm ganho peso face a opções de maior pureza metodológica.

Serão bons casos ou maus casos????





De astrigilda a 25 de Março de 2010 às 13:39
Viva!

É o que notei também nas minhas leituras.
Entretanto alguns autores chamam atenção quanto a utilização da triangulação, ou seja, a união das duas metodologias.
Segundo Bogdan e Biklen (1996, p.63 ), a combinação entre um estudo quantitativo sofisticado e um estudo qualitativo aprofundado, ao invés de trazer melhores resultados pode trazer alguns problemas, principalmente quando utilizados por investigadores inexperientes , deixando, nalguns casos, os requisitos de qualidade aquém do que cada uma das abordagens, por si só, pode conferir.


De vania-carlos a 23 de Março de 2010 às 23:19
Ao fazer revisão de literatura sobre esta temática não me tenho conseguido distanciar do meu projecto, tentando responder à pergunta que colocas: em que paradigma te inseres tu?
Verifico que é um exercício interessante (qual o paradigma que enforma o meu projecto), porque nos obriga a responder à pergunta: o que queremos com esta dissertação? Que repostas queremos? Que mudanças (caso queiramos mudar algo) esperamos produzir?
Neste momento, penso que me insiro no paradigma crítico, estudos mistos, investigação-acção! :)


De sannyafernanda a 24 de Março de 2010 às 17:35
Bem, complementando os comentários dos colegas, vejo as angústias da Liliana como um bom propósito para a discussão que se seguiu.
E penso ainda que quando ela olha para os paradigmas de investigação e tem a sensação de que estamos a colocar a “carroça à frente dos bois”, acredito que a expressão está bem posta e que como tal colabora para as definições que a Vania soube situar muito bem.
As respostas para as primeiras perguntas sempre relacionadas ao objecto que deveremos estudar nos permitirá mantermos numa linha coesa de desenvolvimento na nossa investigação.
Penso que é necessário teres um objecto escolhido para investigar e a partir daí, começares a lançares perguntas que irão brotar justamente das muitas leituras que estamos tendo contacto. As respostas virão naturalmente desde que estas possam dar conta do objecto escolhido.


De lpedro a 24 de Março de 2010 às 23:13
Depois de ler o post e os comentários fiquei muito satisfeito.
Muito mais do que um mero trabalho com poucas ou nenhumas consequências queremos que intervenham, que proponham, que discutam e que dêem o vosso contributo. Não conseguimos ver a investigação nesta área de outra forma. E é essa preocupação que está reflectida no post e nos comentários. Por isso, a mensagem passou e grande parte do nosso trabalho está feito. Agora é a vossa vez :)


De sannyafernanda a 26 de Março de 2010 às 11:17
No livro "Investigação em Educação: métodos e técnicas", (2001), organizado por Albano Estrela e Júlia Ferreira, os organizadores discutem logo de início a questão de que os métodos e técnicas de investigação educacional é crucial para fazer ciência e pensar a Educação em Portugal. Na verdade, acredito que isto é uma questão central em qualquer realidade para quem se dedica à investigação.
Mas com relação ao debate que se estabeleceu acima com relação a aproximação entre paradigmas quantitativos e qualitativos ou o distanciamento destes pelos puristas, encontrei diversas posições nas leituras efectuadas até o momento e sintetizo duas:
1. Para Fernandes (1991) - os puristas não vêem compatibilidade dos métodos destes paradigmas, mas no seu artigo buscar desvelar que ambos os paradigmas possuem limitações e vantagens;
2. Para Estrela e Ferreira (2001) - o conhecimento de novas técnicas de investigação e a procura de novas possibilidades das técnicas já há muito estabelecidas permitem qe se busque a superação da dicotomia entre metodologias quantitativas e qualitativas.
Penso, assim, que a partir do que estes autores defendem, o redimensionamento da prática investigativa e de seus métodos e técnicas podem desmitificar e superar certas dicotomias que paralisam a investigação nas ciências sociais, particulamente na área educacional.


De caixinha a 26 de Março de 2010 às 12:00
Efectivamente, quanto mais leio mais detecto essa diversidade de opiniões...

Por um lado, os puristas, que se refugiam nas suas barricadas (de imaculada pureza metodológica).

Por outro lado os "conciliadores", que procuram aproveitar as vantagens e minorar as limitações, de ambas as barricadas.

Um "casamento de conveniência" que horrorizará certamente os primeiros.





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